A família e o modelo de Nazaré
A família de Nazaré viveu como uma família a mais desse povo. Quer dizer, de uma maneira singela, humilde, pobre, trabalhadora, amante das tradições culturais e religiosas da sua nação, profundamente religiosa e afastada dos centros de poder religioso e civil. Um viajante que visitasse Nazaré e desconhecesse os fatos que nós conhecemos, não encontraria nenhum detalhe que distinguisse a Sagrada Família do resto das famílias: nem na casa que usavam, nem no modo de vestir, nem na comida, nem na participação dos atos religiosos que se celebravam na sinagoga, nem em nada. Deus nos quis revelar que a vida cotidiana é o lugar onde Ele nos espera para que lhe amemos e realizemos seu projeto sobre nós. O segredo é viver “essa” vida com o mesmo amor e perseverança que a sagrada Família.
A família de Nazaré era uma família israelita profundamente crente e praticante. Como faziam o resto das famílias piedosas, rezavam sempre em cada comida, iam cada semana a escutar a leitura e a explicação do Antigo Testamento na sinagoga, subiam a Jerusalém para celebrar as festas de peregrinação, como a da Páscoa e a de Pentecostes, rezavam três vezes por dia o famoso “Escuta, ó Israel”. A bênção da mesa na hora das comidas, a participação semanal na missa do domingo e a leitura da Sagrada Escritura continuam sendo fundamentais para que a família cristã realize sua missão educadora.
A família de Nazaré vivia tudo centrada em Deus: Deus era tudo para ela. Quando noivos ainda, José confiou em Deus, quando lhe revelou por meio do anjo que a gravidez de Maria era por obra do Espírito Santo. Casados, Maria e José tiveram que ouvir do filho, que acabavam de encontrar, depois de dias de angustiosa busca, estas palavras: “por que me buscavam? Não sabiam que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Eles não o entenderam, mas o aceitaram e tentaram encontrar o seu sentido. Maria, por outro lado, não tropeçou na fé quando viu seu filho cravado na cruz como um criminoso e derrotado pelos chefes do povo. A família cristã, cuja vida é sempre um quadro de luzes e sombras, encontra a paz e a alegria quando sabe ver a Deus nisso também, ainda que não consiga compreendê-lo.
(Trecho das Catequeses Preparatórias para o IV Encontro Mundial das Famílias)
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